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terça-feira, 19 de abril de 2016

Jaboatão dos tempos antigos

Jaboatão dos tempos antigos

Por James Davidson
Jaboatão Centro (Regional 1) foi durante muito tempo um dos locais com maior intensidade cultural do município. A época do Padre Chromácio Leão e sua banda, das retretas e serenatas, do Antigo Teatro Municipal, dos operários da Rede Ferroviária do Nordeste, das festas de família, dos saraus e recitais de poesias, das pianistas e de grupos verdadeiramente folclóricos ainda deixa saudades nos moradores mais antigos que por aqui viveram. Com a falência da Rede Ferroviária e a consequente mudança de sede, Jaboatão Centro perdeu muito. Mais ainda com o desastre dos 12 anos de desgovernos de Nilton Carneiro e Rodovalho que resultaram no fechamento e destruição de muitos edifícios importantes para a cidade como a Maternidade Rita Barradas, a Escola Técnica , o Cine-teatro Samuel Campelo, entre outros. Agora estamos todos juntos para tentar recuperar tudo aquilo que foi perdido e que nos foi roubado. Com a recuperação da Escola Técnica, do Cine-teatro Samuel Campelo e com a ordenação do trânsito na localidade, estaremos dando os primeiros passos para essa realidade começar a mudar. Por isso, para tentar matar as saudades daqueles que conheceram o Jaboatão dos Tempos Antigos fiz esta postagem:




Jaboatão dos tempos antigos
O que fizeram contigo?
Que fizeram com a cidade
Tão feliz e animada?

Que fizeram da memória
Daqueles belos tempos
Quando vida em ti havia
Oh quão belos sentimentos!

Onde estão as tuas bandas
Tão bonitas e ordenadas?
Com clarins e serenatas
Multidões movimentavam.

Onde estão os teus cinemas?
Teus teatros tão amados?
Que traziam alegrias
Teus artistas revelavam.

Não se ouvem as serenatas
Nem saraus ou pianistas
Recitais de poesias
Ao final do entardecer.

Onde estão os teus artistas?
Os teus músicos e poetas?
Que com Brandão, a Tia Amélia
Animavam o anoitecer?

Jaboatão dos tempos antigos
O que fizeram contigo?
Por que hoje está mudado?
Que fizeste ao teu passado?

Onde estão aqueles grupos
Tão felizes e animados?
Pastoris e caboclinhos
Mamulengos e papangús?

Que fizeram da memória
Daqueles prédios antigos
Imponentes e bonitos
Hoje todos destruídos?

Que fizeram do Relógio
Daquele prédio histórico?
Um ícone da cidade
Dele só restam saudades.

Onde estão os operários
Da Antiga Rede Ferroviária?
Hoje tão abandonada
Com suas vilas e suas casas?

Não se ouve mais o apito
Que tocava todas as manhãs
Não há mais trens e nem vagões
E o que fizeram com a Estação?

Jaboatão dos tempos passados
Por que estás abandonado?
Por que estás tão esquecido?
Na tristeza e solidão?

Que fizeram das tuas ruas
Antes belas e alinhadas
Tão antigas e preservadas
Hoje todas alteradas?

Que fizeram com tua história
Tão rica e tão bonita?
Tão ousada e tão heróica
Mas porém tão esquecida?

Que fizeram com a cidade
Que já foi rica e animada
Viva e movimentada
Hoje tão abandonada?


Que fizeram com a cidade
Tão feliz e cultural
Hoje triste e esquecida
Quase morta e destruída?

Jaboatão dos tempos antigos
O que fizeram contigo?

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

ESCOLA MARIO JULIO

PARABÉNS TURMAS PELA BELA GINCANA


O GRANDE E VERDADEIRO CAMPEÃO FORAM VOCÊS

A equipe de coordenação da 1ª GINCANA DA ESCOLA MODELO vem a publico agradecer a todos, que de forma especial e solidaria construíram uma das mais expressivas manifestações de enlace pedagógico, tendo como principal foco o ALUNO. 
Ficamos extasiados nesses dois dias com o que aconteceu na nossa escola, alunos se desdobrando em conhecimento para trazer o que de melhor tinha para oferecer. A busca incessante pela vitoria e competitividade, que transformou em "alegrias" cada momento vivido, gritos e lágrimas por vitorias e derrotas, manifestações de amor pelo o outro após uma conquista, desabafos e solidariedade com a decepção de uma prova, provocações pela sublime conquista de uma prova.

Foi lindo demais. Vimos professores chorando e professores rindo. Vimos professores questionando e outros querendo mais que participar, queria competir de forma salutar e espontânea. Vimos crianças chorando por momentos que desejariam que não acabassem, que fossem eternos e etéreos.

Risos, garras, determinação, inteligência, percepção, improviso, força, foram ingredientes que nesta semana fizeram a escola ser mais que local de trabalho e de estudos. O que foi visto em varias provas de cultura, recreação, meio ambiente e conhecimentos gerais foi mais que ensinar e aprender. Tudo isto fez a escola modelo muito mais especial. A prova cabal que esses alunos são por demais fantásticos e só precisa de nossa atenção e de alternativas didáticas e pedagógicas que os façam aprender com alegria.

Eles mostraram que suas capacidades cognitivas estão apenas em conflitos e/ou adormecidas, e que desejam aulas brincantes, dinâmicas e motivacionais. Eles querem voar, serem pássaros livres pra pensar e seguir seus próprios instintos. Eles demonstraram que sabem o que querem e que a construção do conhecimento deve e tem a obrigação de ser participativa e espontânea, com significado para suas vidas. Eles nos deram uma lição e nos ensinaram que podem fazer mais e melhor.

Como diria Ruben Alves, se a comida for gostosa o convidado vai querer repetir o prato, mas se a comida for ruím, pode-se até comer, mas a vontade é de vomitar. Não é a panela que é importante, mas as panquecas que ela faz. Ofereça a boa musica, eles vão querer saber suas partituras, contextos e significados. Foi exatamente o que fizemos.

Essa gincana fez cair o véu e se revelar a verdadeira necessidade dos nossos alunos, eles querem projetos, atividades e liberdade de pensar. Eles querem comer aquilo que tem sabor, querem se reconhecer naquilo que estão estudando. Querem se sentir importante como parte da construção do conhecimento.

Na gincana, fizeram exatamente isto. Construíram sem intervenções ou medos. Mostraram do que eram capazes de fazer sem ninguém para dizer que estavam errados ou certos. Queriam apenas mostrar que sua cultura, seu jeito, sua voz, sua alegria, sua arte, sua determinação eram valores imperativamente incontestáveis na arte de educar.

Alegramos-nos por ver alguns destes, muitas vezes tímidos, hiperativos ou que nos aperreiam  participando intensamente da construção dos trabalhos de sua equipe e apresentando graciosamente. Alegramos-nos com as séries se rivalizando, com as turmas do fundamental I (4ª série) competindo entre si, sem receios com as diferenças de idade e serie dos demais. Alias, estes pequeninos quase não vê o sol por estarem tão presos em sala. Obrigado professoras por nos ter ofertado a alegria de tê-lo junto a nós.

Ficamos também, deveras felizes, com a presença dos alunos especiais que durante as atividades estavam firmes observando, participando e competindo para agigantar o valor de sua turma (5ª C), que com todas as dificuldades demonstraram seu valor em muitas provas.
Some-se a isto, a euforia dos campeões da manha e da tarde, que abrilhantaram e acirraram a disputa pelo primeiro lugar, mas que entenderam que o valor da gincana esta para além do embate e da rivalidade. Souberam apreciar a vitoria com alegria, presteza e solidariedade com os demais. Todos foram vencedores, porque enriqueceram a escola MODELO.

A criatividade e a sensibilidade foi outra marca emocionante. Tiraram da cachola e da cartola seus vários recursos e conhecimentos que estavam até então guardadinhos, fizeram aflorar e que foi determinante para resolver as provas multidisciplinares que exigiram o uso de suas competências e habilidades, e que reconhecidamente sabíamos que seriam capazes de construir e produzir em uma gincana como esta.

Foi maravilhoso ver a 5ª F e a 7ª C vibrando, realizando, criando, colocando a prova os seus próprios limites, demonstrando que o estigma e o imaginário que recai sobre si é puro preconceito. Estes provaram que possuem estratégias de conhecimentos para alem do que é formal e consagrado pelos conteúdos. Foram destemidos, desafiadores e, sobretudo, elevaram sua auto-estima.  

O que acontecem aqui nestes dias não tem precedentes na historia particular de cada um, enquanto educação significativa. Vocês estiveram sempre no centro das ações e foram suficientes na sua própria formação. Elevaram a grandeza de serem estudantes.
Como isso foi possível? É simples. Coloque uma porção de confiança e muita vontade de vencer seus próprios limites.
Estamos orgulhosos e emocionados com vocês alunos, com os professores, com os nossos jurados (isentos e éticos) e com o apoio recebido da gestão para que tudo fosse possível. 


Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa (Rubem Alves


Atenciosamente
Equipe de coordenação
Martiliane, Wellington e Alexandre

UMA PESCARIA INESQUECÍVEL

UMA PESCARIA INESQUECÍVEL (James P. Lenfestey)


"Ele tinha onze anos e, cada oportunidade que surgia, ia pescar, numa ilha que ficava no meio de um lago.

A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas pai e filho saíram no fim da tarde para pescar apenas peixes cuja captura estava autorizada.

O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo, elas se tornaram prateadas pelo efeito da lua nascendo sobre o lago.

Quando a cana vergou, ele soube que havia algo enorme do outro lado da linha.

O pai olhava com admiração, enquanto o rapaz habilmente, e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água. Era o maior que já tinha visto, porém a sua pesca só era permitida dentro da temporada.

O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para trás e para frente. O pai, então, acendeu um fósforo e olhou para o relógio. Eram dez da noite, faltavam apenas duas horas para a abertura da temporada.

Em seguida, olhou para o peixe e depois para o menino, dizendo:

- Tem que devolvê-lo, filho!

- Mas, pai, reclamou o menino.

- Vai aparecer outro, insistiu o pai.

- Não tão grande como este, choramingou a criança.

O menino olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou embarcações à vista. Voltou novamente o olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto, sabia, pela firmeza na sua voz, que a decisão era inegociável.

Devagar, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura.

O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu.

E, naquele momento, o menino teve certeza de que jamais veria um peixe tão grande quanto aquele.

Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, o rapaz é uma pessoa bem sucedida na vida, e ele leva seus filhos para pescar no mesmo cais.

Sua intuição estava correta. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite. Porém, sempre vê o mesmo peixe repetidamente todas as vezes que depara com uma questão ética. Porque, como o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo e errado.

Agir corretamente, quando se está sendo observado, é uma coisa.

A ética, porém, está em agir corretamente quando ninguém está nos observando.

Essa conduta reta só é possível quando, desde criança, aprendeu-se a devolver o PEIXE À ÁGUA.

A história valoriza não como se consegue ludibriar as regras, mas como, dentro delas, é possível fazer a coisa certa.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

VINCENT VAN GOGH - 1853 / 1890


POR - Tais Luso de Carvalho
Vincent van Gogh nasceu em 1853, em Groot-Zundert, no norte da Holanda, o primeiro dos seis filhos de um pastor reformista. Foi um pintor individualista e um verdadeiro autodidata, e como tal, um dos mais importantes precursores da pintura moderna.
Sentindo a miséria urbana, Vicent foi despertado pelo fervor religioso e o desejo de servir aos seus semelhantes. Preparou-se para o mesmo ofício do pai, começando como pastor adjunto, iniciando seus estudos de Teologia em Amesterdã, mas interrompendo pouco tempo depois, pois tinha dificuldades de estudar e medo de fracassar, tendo sido reprovado, também, na Escola Evangélica de Bruxelas.
No final de 1878, obteve autorização para trabalhar por sua conta como missionário voluntário na região mineira de Borinage, na Bélgica. Apesar do seu grande fervor religioso e social, não foi bem-sucedido nesse contato com os mineiros. Seu zelo excessivo causou desconfianças entre os mineiros e indisposição no consistório, que o acusou de interpretar a doutrina cristã de modo demasiadamente literal.
Destituído em julho de 1879, passou um período de vagabundagem pelas estradas de Borinage. Sem fé e na miséria passou a acreditar numa nova missão: ao de trazer consolo ao homem pela arte. E foi nessa altura que Vincent Van Gogh começou a desenhar, para superar as angústias que sentia.
Absorveu o Impressionismo, tornando-se um importante precursor do Expressionismo. A sua obra vigorosa, a sua vida infeliz, marcada por repetidos fracassos, por uma grande dúvida interior e uma incrível força criadora, quase obsessiva, chamou a atenção das gerações vindouras.
Seu primeiro desenho seguiu o modelo de Jean-François Millet, pelo qual sentia uma grande admiração. Depois partiu para aquarelas próprias em que retratava a vida miserável dos mineiros. Em 1880 inscreveu-se na Academia de Arte de Bruxelas, porém permaneceu um autodidata, copiando uma série de pinturas sócio- românticas. No ano seguinte voltou por algum tempo à casa dos pais, porém teve um amor infeliz por uma prima viúva, o qual rompeu com a família.
Foi no final de 1881 que Vincent entrou como aprendiz no atelier de seu primo, o pintor Anton Mauve, e esse o aconselhou a pintar com tintas a óleo.
Influenciado pelos romances de crítica social de Flaubert e Zola, Van Gogh decidiu ser pintor dos humildes, em especial da vida dos camponeses. Permaneceu na província por curto tempo devido à solidão que sentia, e regressou novamente à casa dos pais, em Nuenen, em finais de 1883, ficando por dois anos.
Em 1885, depois de numerosos estudos, nasceu o quadro Os Comedores de Batatas. O relacionamento intrínseco das cinco personagens, sentadas à mesa, é conseguido com a pobre refeição de batatas que partilham, e com a luz escassa da lâmpada de petróleo que ilumina. O quadro exprime um forte componente social e tomado de resignação. As figuras parecem abatidas, os rostos magros e mãos ossudas.
Nesse período, a pintura de Van Gogh é sombria e pesada, por isso foram designadas de Realismo atormentado e sombrio.
Em 1886, seu irmão Theo dirigia uma galeria de arte em Paris. Van Gogh entrou em contato com o grupo de impressionistas e entusiasmou-se com as cores, a luminosidade do sol, adotando uma palheta cada vez mais clara, aprendendo a usar cores mais puras e contrastes mais intensos. Nessa época pintou 23 auto-retratos.
Cansado da vida social, Van Gogh foi instalar-se em Arles – pequena cidade no sul da França, no ano de 1888. Foi viver na Casa Amarela, e entusiasmou-se com a ideia de fundar uma cooperativa de artistas em Arles e, no fim daquele ano associou-se a Gauguin, o único que se juntou a ele.
No entanto, dois meses de trabalho foram suficientes para que as relações se deteriorassem: as ideias opunham-se, os temperamentos incompatibilizavam-se e terminou com uma grande discussão. Com os nervos à flor da pele, Van Gogh cortou a orelha esquerda, episódio conhecido e retratado. Porém, depressivo, o artista não deixou de criar grandes obras o qual retratou famosos quadros como os Girassóis, árvores, pontes, as casas e seus interiores.
Tornou-se obcecado pelo valor simbólico e expressivo das cores, passou a empregá-las com esse propósito, não mais para a reprodução das aparências visuais como faziam os impressionistas.
“Em vez de tentar reproduzir exatamente o que tenho à frente de meus olhos, uso a cor de modo mais arbitrário, a fim de expressar-me com mais vigor”.
Em Maio de 1889, Van Gogh foi para um hospital psiquiátrico de Saint-Remy, perto de Arles, onde após uns dias de sossego, voltou a pintar nesse lugar, onde lhe deram uma espécie de atelier. As alucinações, os pesadelos e sua grande preocupação com a morte caracterizaram sua estadia em tal Clínica. Porém, mesmo com essas alternâncias, a continuidade de seu trabalho se fazia presente.
A angústia e depressão em que vivia o levaram ao suicídio em 29 de julho de 1890. Esquecido, sem jamais ter alcançado o sucesso, morreu ao lado de seu irmão Theo. Seu caixão foi coberto por girassóis – a flor que mais amava. Ao lado do caixão, seus pincéis e seu cavalete.
De 1872 a 1890, Vincent e Theo trocaram extensa correspondência, hoje reunida em livro. Talvez seja o documento mais importante sobre a trajetória artística de Van Gogh, que narra desde as angústias pessoais e dúvidas sobre o ofício e questões de técnica de pintura. À medida em que ele adoece, as menções à saúde e à fragilidade da vida aparecem com maior frequência. Nas cartas a Theo, Vincent também se mostra extremamente religioso, apegado a valores de transcendência espiritual que acaba traduzindo em seus quadros. Ele parecia estar ciente de que vivia um grande momento da arte e afirmava sua condição de gênio incompreendido.
“Pense no tempo em que vivemos como uma grande renascença da arte, com novos pintores solitários, pobres, tratados como loucos” – observou em julho de 1888.
Clique nas fotos para ver maior





Fontes: 
 História da Pintura – Könemann 
100 Obras Essenciais da Pintura Mundial
Enciclopédia Abril

WASSILY KANDINSKY - ARTE ABSTRATA

ARTE ABSTRATA - KANDINSKY

Negro e violeta - 1924

Wassily Kandinsky, um dos pioneiros da arte abstrata, nasceu em Moscou / Rússia, em 1866 e faleceu em 1944, em Neuilly-sur-Seine. Esse pintor mudou a arte para sempre. Suas obras de cor pura e formas abstratas marcou uma revolução nas artes: o nascimento do abstracionismo.

Foi escritor, teórico, entalhador, litógrafo e pintor além de ter estudado Direito e Economia  na Universidade de Moscou. Depois o rumo foi outro: as artes!

Após uma exposição dos impressionistas franceses, no qual um dos quadros de Monet o impressionou muito - Montes de Feno -, abandonou a carreira como professor universitário do curso de Direito e em 1896 partiu para Munique a fim de estudar pintura. Seus primeiros trabalhos, portanto, tinham uma notória influência desses impressionistas franceses e da arte folclórica de sua Rússia. Participou, também, do movimento expressionista.

Em 1901 foi um dos fundadores de uma sociedade de vanguarda chamada Falange, na Alemanha, e o principal porta-voz da Art Nouveau. Suas pinturas, na virada do século, combinavam Art Nouveau com reminiscências da arte popular russa. 

Em 1908 o russo Kandinsky voltou à Munique e começou uma transformação: trocou o elemento figurativo pela abstração pura. Sua primeira ‘sinfonia visual’ foi mais pela busca do geométrico do que por uma linha figurativa. A sua busca pelo elemento não figurativo deu-se quando não reconheceu sua própria obra - figurativa - que estava de cabeça para baixo, vendo nela uma bela obra.

Antes de sua primeira exposição - 1910, O cavaleiro azul - Kandinsky apresentou seu ensaio acerca do espiritual da arte, que só conseguiu publicar dois anos mais tarde. Nesse livro Kandinsky desenvolveu suas ideias acerca de um estilo autônomo, de uma pintura que não careceria de descrição dos objetos. Nesse ponto o artista mostrou sua intenção de ser reconhecido como o inventor do primeiro trabalho abstrato. 

Não diria que o artista repudiava a representação, mas afirmava que o artista puro seria aquele que conseguisse expressar somente sentimentos interiores e essenciais, ignorando o superficial e o eventual. 

Em 1914 retornou à Rússia onde foi laureado por várias vezes. Porém, descontente com a ascensão do desenho industrial que subordinavam as belas artes, deixou a Rússia em 1921 assumindo o cargo de professor na Bauhaus.  

Em 1927 naturalizou-se alemão, mas em 1933 deixou a Alemanha rumo à França,  quando a escola foi fechada sob pressão do Partido Nazista, e Kandinsky  exilou-se em Paris, obtendo a cidadania francesa em 1939  permanecendo na França o resto da sua vida.


Algumas obras: 
Do espiritual na arte - 1912
Reminiscências - 1913
Ponto e linha sobre o plano - 1926
Esboço de uma obra II - 1909
Os Cossacos - 1910
Lirismo - 1911
Improvisação 31 - 1913
Composição VI - 1913
Composição 218 - 1919 
Círculos no escuro - 1921


A cor é uma força poderosa que influencia diretamente a alma...
e nela provoca vibrações.

No Azul - 1925
Mit und Gegen - 1929
On Points - 1928
Esboço VII - 1913
Transverse line - 1923