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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

VINCENT VAN GOGH - 1853 / 1890


POR - Tais Luso de Carvalho
Vincent van Gogh nasceu em 1853, em Groot-Zundert, no norte da Holanda, o primeiro dos seis filhos de um pastor reformista. Foi um pintor individualista e um verdadeiro autodidata, e como tal, um dos mais importantes precursores da pintura moderna.
Sentindo a miséria urbana, Vicent foi despertado pelo fervor religioso e o desejo de servir aos seus semelhantes. Preparou-se para o mesmo ofício do pai, começando como pastor adjunto, iniciando seus estudos de Teologia em Amesterdã, mas interrompendo pouco tempo depois, pois tinha dificuldades de estudar e medo de fracassar, tendo sido reprovado, também, na Escola Evangélica de Bruxelas.
No final de 1878, obteve autorização para trabalhar por sua conta como missionário voluntário na região mineira de Borinage, na Bélgica. Apesar do seu grande fervor religioso e social, não foi bem-sucedido nesse contato com os mineiros. Seu zelo excessivo causou desconfianças entre os mineiros e indisposição no consistório, que o acusou de interpretar a doutrina cristã de modo demasiadamente literal.
Destituído em julho de 1879, passou um período de vagabundagem pelas estradas de Borinage. Sem fé e na miséria passou a acreditar numa nova missão: ao de trazer consolo ao homem pela arte. E foi nessa altura que Vincent Van Gogh começou a desenhar, para superar as angústias que sentia.
Absorveu o Impressionismo, tornando-se um importante precursor do Expressionismo. A sua obra vigorosa, a sua vida infeliz, marcada por repetidos fracassos, por uma grande dúvida interior e uma incrível força criadora, quase obsessiva, chamou a atenção das gerações vindouras.
Seu primeiro desenho seguiu o modelo de Jean-François Millet, pelo qual sentia uma grande admiração. Depois partiu para aquarelas próprias em que retratava a vida miserável dos mineiros. Em 1880 inscreveu-se na Academia de Arte de Bruxelas, porém permaneceu um autodidata, copiando uma série de pinturas sócio- românticas. No ano seguinte voltou por algum tempo à casa dos pais, porém teve um amor infeliz por uma prima viúva, o qual rompeu com a família.
Foi no final de 1881 que Vincent entrou como aprendiz no atelier de seu primo, o pintor Anton Mauve, e esse o aconselhou a pintar com tintas a óleo.
Influenciado pelos romances de crítica social de Flaubert e Zola, Van Gogh decidiu ser pintor dos humildes, em especial da vida dos camponeses. Permaneceu na província por curto tempo devido à solidão que sentia, e regressou novamente à casa dos pais, em Nuenen, em finais de 1883, ficando por dois anos.
Em 1885, depois de numerosos estudos, nasceu o quadro Os Comedores de Batatas. O relacionamento intrínseco das cinco personagens, sentadas à mesa, é conseguido com a pobre refeição de batatas que partilham, e com a luz escassa da lâmpada de petróleo que ilumina. O quadro exprime um forte componente social e tomado de resignação. As figuras parecem abatidas, os rostos magros e mãos ossudas.
Nesse período, a pintura de Van Gogh é sombria e pesada, por isso foram designadas de Realismo atormentado e sombrio.
Em 1886, seu irmão Theo dirigia uma galeria de arte em Paris. Van Gogh entrou em contato com o grupo de impressionistas e entusiasmou-se com as cores, a luminosidade do sol, adotando uma palheta cada vez mais clara, aprendendo a usar cores mais puras e contrastes mais intensos. Nessa época pintou 23 auto-retratos.
Cansado da vida social, Van Gogh foi instalar-se em Arles – pequena cidade no sul da França, no ano de 1888. Foi viver na Casa Amarela, e entusiasmou-se com a ideia de fundar uma cooperativa de artistas em Arles e, no fim daquele ano associou-se a Gauguin, o único que se juntou a ele.
No entanto, dois meses de trabalho foram suficientes para que as relações se deteriorassem: as ideias opunham-se, os temperamentos incompatibilizavam-se e terminou com uma grande discussão. Com os nervos à flor da pele, Van Gogh cortou a orelha esquerda, episódio conhecido e retratado. Porém, depressivo, o artista não deixou de criar grandes obras o qual retratou famosos quadros como os Girassóis, árvores, pontes, as casas e seus interiores.
Tornou-se obcecado pelo valor simbólico e expressivo das cores, passou a empregá-las com esse propósito, não mais para a reprodução das aparências visuais como faziam os impressionistas.
Em vez de tentar reproduzir exatamente o que tenho à frente de meus olhos, uso a cor de modo mais arbitrário, a fim de expressar-me com mais vigor”.
Em Maio de 1889, Van Gogh foi para um hospital psiquiátrico de Saint-Remy, perto de Arles, onde após uns dias de sossego, voltou a pintar nesse lugar, onde lhe deram uma espécie de atelier. As alucinações, os pesadelos e sua grande preocupação com a morte caracterizaram sua estadia em tal Clínica. Porém, mesmo com essas alternâncias, a continuidade de seu trabalho se fazia presente.
A angústia e depressão em que vivia o levaram ao suicídio em 29 de julho de 1890. Esquecido, sem jamais ter alcançado o sucesso, morreu ao lado de seu irmão Theo. Seu caixão foi coberto por girassóis – a flor que mais amava. Ao lado do caixão, seus pincéis e seu cavalete.
De 1872 a 1890, Vincent e Theo trocaram extensa correspondência, hoje reunida em livro. Talvez seja o documento mais importante sobre a trajetória artística de Van Gogh, que narra desde as angústias pessoais e dúvidas sobre o ofício e questões de técnica de pintura. À medida em que ele adoece, as menções à saúde e à fragilidade da vida aparecem com maior frequência. Nas cartas a Theo, Vincent também se mostra extremamente religioso, apegado a valores de transcendência espiritual que acaba traduzindo em seus quadros. Ele parecia estar ciente de que vivia um grande momento da arte e afirmava sua condição de gênio incompreendido.
Pense no tempo em que vivemos como uma grande renascença da arte, com novos pintores solitários, pobres, tratados como loucos” – observou em julho de 1888.
Clique nas fotos para ver maior





Fontes: 
 História da Pintura – Könemann 
100 Obras Essenciais da Pintura Mundial
Enciclopédia Abril

WASSILY KANDINSKY - ARTE ABSTRATA

ARTE ABSTRATA - KANDINSKY

Negro e violeta - 1924

Wassily Kandinsky, um dos pioneiros da arte abstrata, nasceu em Moscou / Rússia, em 1866 e faleceu em 1944, em Neuilly-sur-Seine. Esse pintor mudou a arte para sempre. Suas obras de cor pura e formas abstratas marcou uma revolução nas artes: o nascimento do abstracionismo.

Foi escritor, teórico, entalhador, litógrafo e pintor além de ter estudado Direito e Economia  na Universidade de Moscou. Depois o rumo foi outro: as artes!

Após uma exposição dos impressionistas franceses, no qual um dos quadros de Monet o impressionou muito - Montes de Feno -, abandonou a carreira como professor universitário do curso de Direito e em 1896 partiu para Munique a fim de estudar pintura. Seus primeiros trabalhos, portanto, tinham uma notória influência desses impressionistas franceses e da arte folclórica de sua Rússia. Participou, também, do movimento expressionista.

Em 1901 foi um dos fundadores de uma sociedade de vanguarda chamada Falange, na Alemanha, e o principal porta-voz da Art Nouveau. Suas pinturas, na virada do século, combinavam Art Nouveau com reminiscências da arte popular russa. 

Em 1908 o russo Kandinsky voltou à Munique e começou uma transformação: trocou o elemento figurativo pela abstração pura. Sua primeira ‘sinfonia visual’ foi mais pela busca do geométrico do que por uma linha figurativa. A sua busca pelo elemento não figurativo deu-se quando não reconheceu sua própria obra - figurativa - que estava de cabeça para baixo, vendo nela uma bela obra.

Antes de sua primeira exposição - 1910, O cavaleiro azul - Kandinsky apresentou seu ensaio acerca do espiritual da arte, que só conseguiu publicar dois anos mais tarde. Nesse livro Kandinsky desenvolveu suas ideias acerca de um estilo autônomo, de uma pintura que não careceria de descrição dos objetos. Nesse ponto o artista mostrou sua intenção de ser reconhecido como o inventor do primeiro trabalho abstrato. 

Não diria que o artista repudiava a representação, mas afirmava que o artista puro seria aquele que conseguisse expressar somente sentimentos interiores e essenciais, ignorando o superficial e o eventual. 

Em 1914 retornou à Rússia onde foi laureado por várias vezes. Porém, descontente com a ascensão do desenho industrial que subordinavam as belas artes, deixou a Rússia em 1921 assumindo o cargo de professor na Bauhaus.  

Em 1927 naturalizou-se alemão, mas em 1933 deixou a Alemanha rumo à França,  quando a escola foi fechada sob pressão do Partido Nazista, e Kandinsky  exilou-se em Paris, obtendo a cidadania francesa em 1939  permanecendo na França o resto da sua vida.


Algumas obras: 
Do espiritual na arte - 1912
Reminiscências - 1913
Ponto e linha sobre o plano - 1926
Esboço de uma obra II - 1909
Os Cossacos - 1910
Lirismo - 1911
Improvisação 31 - 1913
Composição VI - 1913
Composição 218 - 1919 
Círculos no escuro - 1921


A cor é uma força poderosa que influencia diretamente a alma...
e nela provoca vibrações.

No Azul - 1925
Mit und Gegen - 1929
On Points - 1928
Esboço VII - 1913
Transverse line - 1923

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O OLHAR DE ALBERT ECKHOUT


Pintor e desenhista holandês nascido provavelmente em Gröningen, Países Baixos, trazidos na comitiva do governador-general Johan Maurits, conde de Nassau-Siegen, o Maurício de Nassau, que dividiu com Frans Post a tarefa de retratar o Brasil para os europeus. Sobrinho do pintor Gheert Roeleffs, morava em Amsterdã trabalhando como ilustrador quando foi convidado por Nassau, para integrar sua expedição ao nordeste brasileiro. Permaneceu no Brasil (1637-1644), especialmente no Recife, como membro de um ativo grupo de estudiosos da corte de Nassau, desenvolvendo um trabalho de valor documental com desenhos e telas essencialmente sobre frutas e flores e animais e índios, trabalho que continuou em Gröningen, após sua volta à Holanda, ainda patrocinado por Nassau
Com uma obra de grande interesse descritivo, retratou os primeiros habitantes do país, entre os quais mulatos, mamelucos e negros, sendo o quadro A dança dos tapuias, considerado por muitos como sua obra-prima. Depois mudou-se para Amersfoort (1648), cidade onde batizou seus três filhos, e morou em Sachsen, Dresden (1653-1663), contratado por João Jorge II como pintor de sua corte, mas vitimado pela malária adquirida em sua estada na América, voltou para sua cidade natal onde morreu no ano seguinte. 



Oito de seus desenhos originais foram presenteados (1679) por Nassau ao rei Luís XIV da França que, mais tarde (1687-1730), foram levados para a manufatura de tapeçarias dos Gobelins, que os reproduziu na série peças denominados de Les anciennes Indes, que se tornaram muito populares no século seguinte (O Masp possui cinco tapeçarias, da primeira série, a Petites Indes).



Como pintor sua obra totalizou oito representações, em tamanho natural, de habitantes locais e uma série de doze naturezas-mortas com frutas tropicais, sendo que essa coleção pertence ao Museu Nacional da Dinamarca, presente de Maurício de Nassau a seu primo Frederico III, rei da Dinamarca (1654). D. Pedro II, imperador do Brasil, encomendou cópias (1876) em escala menor de seus quadros que encontram-se no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Rio de Janeiro